HISTORIA DA PENINSULA IBERICA
A Península Ibérica esteve dividida por muito tempo entre vários reinos cristãos e muçulmanos, distinguindo dois blocos que se combatiam permanentemente, e a desunião persistia igualmente no interior de cada bloco. A origem do Estado português está relacionada à expulsão, entre os séculos XI e XV, dos mouros (árabes) que haviam se fixado ao sul da península a partir do Século VIII.
Dois nobres franceses, Raimundo e Henrique de Borgonha receberam do Rei Afonso IV de Leon, como recompensa pelos seus esforços na expulsão dos invasores, as mãos de suas filhas em casamento e uma porção de terra cada um. Henrique de Borgonha recebe a mão da princesa D. Teresa e o Condado Portucalense. Este é o território que deu origem a Portugal. Porém, foi somente o filho Afonso Henriques que tornou o território independente do reino de Leão. Portugal deu continuidade às guerras de Reconquista, ampliando seu território. A economia, no final desta dinastia (séc. XIV), sofreu impulso com o surgimento de uma nova rota comercial que ligava as cidades italianas à Inglaterra, fazendo escala em Lisboa. Isto fortaleceu o grupo mercantil português.
Após a morte do último rei da dinastia explode a Revolução de Avis em 1383, em como consequência do surgimento de dois grupos: um liderado pela burguesia portuguesa, que apoiava a ascensão do Mestre de Avis, filho bastardo de D. Fernando de Borgonha, representante dos interesses desta contra a nobreza; e outro, liderado pela nobreza que apoiava a anexação de Portugal ao reino de Castela (Espanha), pois a filha de D. Fernando era casada com o rei de Castela. Com a ascensão do Mestre de Avis, coroado como D. João I, temos o início da dinastia de Avis que marcou a vitória dos interesses burgueses. A unificação do território português deu-se paralelamente ao fortalecimento do poder real na dinastia de Borgonha e, a Revolução de Avis marcou o início de um período na história portuguesa onde a burguesia terá grande influência sobre este Estado criando as condições necessárias para a expansão marítima.
As expedições prolongaram-se por vários reinados, desde o tempo das explorações na costa africana e americana até à ao projeto da descoberta de um caminho marítimo para a Índia, culminando com a altura em que império ultramarino português fica consolidado.
Em 1317, Portugal faz um acordo com o navegador e mercador genovês Emanuele Pessagno, nomeando-o primeiro almirante da frota real com privilégios comerciais com seu país, em troca de vinte navios e suas tripulações, com o objetivo de defender as costas do país contra ataques de pirataria muçulmana, lançando assim, as bases da Marinha Portuguesa e, para o estabelecimento de uma comunidade mercante genovesa em Portugal. Obrigados a reduzir suas atividades no Mar Negro, os mercadores da República de Génova tinham-se voltado para o comércio norte Africano de trigo, azeite e ouro, navegando até aos portos da Inglaterra e Belgica. Genoveses e florentinos estabeleceram-se então em Portugal, que lucrou com a iniciativa e experiência financeira destes rivais da República de Veneza.
Na segunda metade do século XIV, surtos de peste bubónica levaram a um grave despovoamento do interior de Portugal, onde a atividade economia era centralizada em poucas cidades e a migração do campo levou ao abandono da agricultura e ao aumento do desemprego nestas povoações. Somente o mar oferecia alternativas, o que mobilizou grande numero destes agricultores para as zonas costeiras de pesca e comércio.
Entre 1325 e 1357 D. Afonso IV de Portugal concedeu o financiamento público para levantar uma frota comercial e ordenou as primeiras explorações marítimas, com apoio de genoveses, sob o comando de Emanuele Pessagno. Em 1341 as ilhas Canárias, então já conhecidas dos genoveses, foram oficialmente descobertas sob o patrocínio do rei Português. Em 1338, a sua exploração foi concedida a mercadores estrangeiros, mas em 1344 Castela disputou-as, concedendo-as ao castelhano D. Luís de la Cerda. No ano seguinte, Afonso IV enviou uma carta ao Papa Clemente VI referindo-se às viagens do portugueses às Canárias e protestando contra essa concessão. Nas reivindicações de posse, sucessivamente renovadas pelos dois povos, prevaleceu, no final, a vontade do rei de Castela sobre estas ilhas.
Em 1353 foi assinado um tratado comercial com a Inglaterra para que os pescadores portugueses pudessem pescar nas costas inglesas, abrindo assim caminho para o futuro Tratado de Windsor em 1386. Em 1380 foi criada a Companhia das Naus, uma bolsa de seguros marítimos e, em 1387 há notícia do estabelecimento de mercadores do Algarve, sul de Portugal, em Bruges. Em 1395, D. João I emitiu uma lei para regular o comércio dos mercadores estrangeiros.
Quanto a Espanha cristã, a primeira metade do século XV foi uma época de grande instabilidade política e social, que só terminou com a união das coroas de Castela e Aragão, pelo casamento dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão . Estes dois monarcas não só conseguiram unificar toda a Península cristã, com a exceção de Portugal, como conquistaram Granada, o último reino mouro da Península, em 1492. Buscaram a uniformidade religiosa na fé católica como objetivo central, atendendo aa recomendações, senão imposições papais. Foi para atingir a unidade religiosa que impuseram a conversão forçada dos judeus e a expulsão dos que se recusaram, intimando os muçulmanos das regiões conquistadas a se converterem. Se grande número de judeus optaram pela emigração para não abandonarem a sua ancestral religião, os muçulmanos fizeram a escolha em sentido contrário, convertendo-se na sua maioria e ganhando assim o direito de permanecerem em terras espanholas.
Garantida a unidade política do país e obtida a hegemonia da religião católica, a, agora Espanha unificada, se lançou na concretização de um desígnio de expansão territorial, encaminhando os seus esforços de descoberta e colonização na direção do continente americano. A riqueza adquirida nas terras conquistadas forneceria à Coroa os meios financeiros para, não só garantir a estabilidade do novo estado como para dar à Espanha um lugar de grande relevo na economia europeia.
